Testemunha morreu quando era transportada para delegacia, durante um dos plantões regionalizados da Polícia Civil.
A Comissão de Segurança Pública reuniu-se na tarde desta quarta (15) - Foto: Rossana Magri
A viagem de dois soldados da Polícia Militar, para
levar um preso e uma testemunha de Araçuaí a Itaobim (Vale do
Jequitinhonha), terminou com a morte da testemunha, depois de acidente
no trajeto. Essa foi mais uma tragédia resultante dos plantões
regionalizados da Polícia Civil, na opinião do deputado Sargento
Rodrigues (PDT). A Comissão de Segurança Pública da Assembleia
Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, nesta quarta-feira
(15/5/13), a requerimento do deputado, que esse acidente seja informado
ao secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, ao chefe da
Polícia Civil, Cilton Brandão da Mata, e ao governador Antonio
Anastasia.
Os plantões regionalizados da Polícia Civil são aqueles concentrados
em apenas uma cidade para atender a uma determinada região, o que obriga
os policiais de outros municípios a viajarem longas distâncias para
registrar ocorrências.
O acidente, que ocorreu em 16 de janeiro deste ano, envolveu viatura
da PM de Padre Paraíso quando levava um preso de Araçuaí e uma
testemunha à delegacia de Itaobim, onde seriam ouvidos. No automóvel
estavam também dois soldados da PM. Constantino Gonçalves morreu de
infecções generalizadas, depois de fraturar o fêmur no acidente e ficar
15 dias internado. Um dos soldados fraturou parcialmente a coluna e está
em tratamento, sob responsabilidade do 19º BPM, ao qual está vinculado.
O preso e o outro soldado tiveram ferimentos leves.
A 26ª Companhia da PM de Itaobim recebe ocorrências diariamente de 13
cidades do Vale do Jequitinhonha. Alguns desses municípios, como
Coronel Murta e Virgem da Lapa, ficam a até 200 km de distância do
plantão regionalizado em Itaobim.
“Os plantões regionalizados têm causado diversos problemas aos
policiais militares e também à população, uma vez que, além de
desguarnecer a segurança local, impõem aos PMs um enorme desgaste físico
e psicológico e, por vezes, resultam em acidentes”, observou Sargento
Rodrigues.
Patrulha unitária motiva requerimentos
Outros três requerimentos foram aprovados, todos propostos também
pelo deputado Sargento Rodrigues. O primeiro deles é para oficiar o
comandante-geral da PM a fim de intervir urgentemente e tomar
providências em relação à patrulha unitária, que, segundo o parlamentar,
afronta o dever de assegurar a segurança pública.
Essa patrulha é um sistema de policiamento que se pretende implantar
em todas as unidades e turnos da Polícia Militar. “Na 9ª Companhia do
34º BPM, desde 22 de abril, entre 7 horas e 15 horas, apenas um policial
militar é designado para realizar o policiamento ostensivo”, informou o
parlamentar, que também questiona a medida, imposta aos policiais
militares, de serem obrigados a repor o tempo correspondente ao período
em que se encontravam em licença de saúde.
O segundo requerimento aprovado é para oficiar o chefe da Polícia
Civil para que solicite à Corregedoria da corporação imediata apuração
de denúncia de que um suspeito de furto teria fugido pela porta da
frente da 2ª Delegacia Regional de Conselheiro Lafaiete, logo após ter
sido deixado no local por policiais militares. O jovem escapou correndo,
na madrugada da última segunda-feira (13), enquanto o detetive de
plantão na recepção teria se distraído em um computador da delegacia.
Finalmente, o terceiro requerimento é de providências ao secretário
de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, para empenhar-se em assumir a
responsabilidade pela cadeia pública de Carangola, bem como a liberação
dos policiais militares para o exercício da atividade-fim e a
disponibilização de viatura com dois policiais para apoio.
Policiais militares estariam realizando a guarda da cadeia e a
escolta de presos, conforme escalonamento por turno de quatro PMs, sendo
que a Subsecretaria de Estado de Administração Prisional ainda não
havia assumido a cadeia pública, que se encontra interditada.